Fotos e vídeo de Foz/Ciudad del Este



Colocamos no site algumas fotos do show no Zeppelin Old Bar, em Foz, e também um belo vídeo editado dessa viagem que fizemos no início de junho.

Shows esquisitos; inversos, eu diria. O último, em especial, me fez voltar a um pensamento. O que fazia Zakk Wylde no palco de um show em São Paulo, com a mão visivelmente estourada, respingando e espirrando sangue para os lados, tocando insistentemente ao lado de Ozzy? Ou o que fez Frank Zappa e Patti Smith voltarem aos palcos após graves acidentes sobre os mesmos, que quase tiraram as suas vidas? Ou por quê ainda se vê o Rolling Stones, Paul McCartney e Bob Dylan tocando, todos beirando os setenta anos? Vai muito além de mostrar à molecada que apenas energia - aquelas três latas de Red Bull - não é suficiente para encantar, do palco.

Não sei das razões reais, já que não conheço as pessoas, mas já que esse tipo de verdade sou eu quem faço, acho que essa resposta eu já tinha antes do show que fizemos no Zeppelin.

Mas essa razão surgiu com mais força e de forma mais etérea num Zeppelin embaçado; o estar voando, sorrindo por dentro minutos antes de chorar, o estar deslizando as mãos nas cordas de olhos fechados sem saber se a próxima nota seria a correta, e não ter dado importância à essa dúvida por uma certeza instintiva de que a nota já estava lá. Sentir como se os órgãos todos tivessem derretido e se transformado em um 'algo', apenas, unido harmoniosamente com a música, exprimindo através dessa mistura uníssona o que palavras nunca conseguirão dizer de maneira tão fiel; embora eu não saiba se essas notas foram, de fato, as corretas, esse sentir, que foi absorvido racionalmente, é a razão mais simples, e a que mais me bateu para todas as vezes que eu, tocando, me perguntei - o que faço, fazendo isso aqui? Imagino que é uma das razões por que se vê alguém de setenta anos soltando os pulmões e divertindo-se no palco - o amor por tocar, algo difícil de deixar para trás.

Nunca foi preciso um sentido; o prazer de fazer já era suficiente, para mim. Pensar nesse sentido, porém, é acalentador - ele vem sempre num momento em que preciso agarrá-lo para que, quando guardar meu baixo e meus cabos e voltar à minha vida, ele me ajude a me manter de pé e a enxergar além da próxima esquina.

Enfim... Fomos para Ciudad del Este, com direito a conhecer um sósia (paraguaio) de Jimmy Page, fanático por The Cure, que acabou apreciando muito o nosso show. O pessoal de Foz foi muito caloroso naquela noite muito mais do que gélida, e passear na área das Cataratas, caminhando pela trilha enquanto ouvíamos o barulho da água caindo, João fazia amizade com um quati, e as cachoeiras vidravam os nossos olhos, fechou a viagem de forma bem interessante.

Temos agora o show em Campinas e, se tudo der certo, uma surpresa muito bacana para os que gostam de The Cure e admiram mais, entre todas as fases do Cure, aquela que deu origem ao Wish.

Até.



Tiemi

27.6.11




5 Comentários:

Blogger What Are You Going to Do with Your Life? disse...

Lindo texto Ti. E você foi uma guerreira nessa viagem. Sabe....sinto-me orgulhoso de fazer parte dessa banda. Às vezes as coisas se tornam tão difíceis na vida e a música se mostra ainda mais essencial para mim. Amo The Cure, mas tocaria quaisquer músicas com vocês. Seria sempre especial. Já me perguntaram de onde vem a inspiração, que o ser humano a perdeu. Querer achar explicações racionais para tudo é tolice. Isso fica para teóricos bobos, insípidos e incolores...

e VIVA a música e a ARTE!

BJ

27/6/11 09:58  
Blogger estevaofn disse...

Que texto maravilhoso! De derreter, bem como naquele momento dos órgãos no palco... =-)
Em Campinas estarei com vcs, curtindo cada segundo, cada nota, cada derretimento... E claro, pedindo incessantemente as músicas que mais adoro vê-los tocar.
Até logo, caros amigos!

27/6/11 11:25  
Blogger Tiemi S. disse...

Obrigada, Samuel. Estava com o pensamento em você, também, enquanto escrevia. Sei das tantas vezes que você também pensou em parar de tocar. E está aí, ainda, firme, fazendo o seu melhor e fazendo-o com amor. Seu próprio comentário explica o por quê disso.
Sobre a coisa da razão, confesso que, muitas vezes, eu preciso e até gosto de tentar encontrar razões para as coisas... Mas também tem momentos em que o sentir já me é razão suficiente.
Beijo

Teco, obrigada pelas palavras. Até Campinas.

28/6/11 05:41  
Blogger Paulinha disse...

Pessoal, estou ausente dos shows por muito tempo já.. logo logo estou de volta... passei por aqui para deixar o meu abraço e me deparei com essa obra de arte que a Tiemi escreveu.... sempre com o dom das palavras, conseguindo descrever o que por muito parece ser possível apenas de ser sentido. Vocês da Interlude têm uma energia que não sei bem como explicar. Ela vem, fica, faz-nos começar batendo o pézinho e quando eu me vejo já estou completamente entregue à música... quando vou/ia a shows de vocês eu raramente bebia mais que uma cervejinha.. não tinha tempo pra perder bebendo, eu queria era cantar, dançar e ser feliz... e isso, a música, a arte, o talento de vocês é suficiente para fazer uma multidão feliz. Meus parabéns pelo progresso! Já foram até para o exterior ;)Espero que continuem sempre buscando forças mesmo quando não houver mais de onde buscar, o que vocês fazem não é bom só pra vocês, é bom pra quem quer que entre em contato. Vocês são um vírus do bem hahaha meus beijos e abraços a todos!

29/6/11 18:33  
Blogger Tiemi S. disse...

Paulinha, obrigada pelas palavras sobre o texto e sobre o Interlude. Fico feliz de saber como se sente nos shows da gente. Tomara que volte aos shows, porque essa energia que você mencionou também é criada por quem assiste. Gostei do 'vírus do bem'. ; )

30/6/11 07:36  

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